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Natação para bebés: como escolher o melhor para os nossos bebés?

Há uns anos atrás, quando se começou a falar em natação para bebés, Jean de Camus, utilizava a expressão “bebés-nadadores”. Contudo, dava-lhe o seu verdadeiro sentido dizendo que esta expressão significava “bebé que joga dentro e com a água”.

Quando utilizamos a expressão Natação para bebés falamos num processo que facilita e favorece a atividade espontânea dos bebés e crianças na água em função das suas capacidades. Proporcionando-lhes um desenvolvimento psicomotor e social precoce e saudável.

Quando os pais de um bebé pensam em colocar o seu filho na “natação para bebés” devem antes questionar-se sobre qual o objetivo deles, os pais!

1- Se o objetivo é aprender a nadar. Esqueça! Até aos 3 anos dificilmente conseguirá ver o seu filho a nadar os estilos de nado. O que conseguirão nesta idade é que a criança saiba estar na água, deslocando-se, com autonomia em percursos pequenos. Com movimentos muito particulares que ele próprio desenvolveu para se manter à superfície e com as vias respiratórias fora da água. Claro que irá futuramente aprender os estilos de nado como mais facilidade e de acordo com o seu desenvolvimento psicomotor. É importante que os pais saibam que cada criança terá o seu ritmo de desenvolvimento, e este estará sempre dependente das experiências que foi vivenciando ao longo do seu percurso de vida.

2- Se o objetivo é que o seu filho tenha um desenvolvimento precoce e saudável. A partir dos 4 meses será uma excelente altura para iniciar nas aulas. A estimulação aquática é um excelente facilitador do desenvolvimento psicomotor da criança. Este sim é um objetivo concretizável e que deverá estar presente em qualquer idade que a criança inicie a sua adaptação ao meio aquático.

3- Se o seu objetivo está ligado à prevenção do afogamento. É um objetivo e preocupação muito importante e que requer uma boa escolha na procura da escola de natação. Existem muitos métodos de ensino que têm como objetivos a prevenção, a segurança e o auto-salvamento. Neste caso estamos a falar de coisas diferentes. Prevenção e segurança aquática são diferentes de auto-salvamento.

As técnicas e metodologias de auto-salvamento têm como objetivo o ensino de habilidades motoras aquáticas muito específicas, ensinando apenas uma habilidade de reação a uma queda na água. Ou seja, nada mais é ensinado para além da resposta que pretendemos que a criança dê quando cai à agua que é colocar-se de costas. Nestes métodos de aprendizagem o objetivo não é o desenvolvimento psicomotor do seu bebé, nem a aprendizagem da natação. Estas aulas são curtas, especificas e sem ludicidade.

As metodologias de ensino com o objetivo da prevenção e segurança têm como principal objetivo o desenvolvimento psicomotor da criança para a partir daí ajustar as suas aprendizagens à etapa de desenvolvimento em que se encontra, tirando partido das suas capacidades, das suas características e da sua relação com a água. Utilizando estratégias lúdicas que os façam encontrar soluções e não as fornecendo. As habilidades aquáticas ensinadas não devem ser especificas, mas facilitadoras do processo de aprendizagem a reações a uma queda na água. Cada criança deverá responder de forma diferente a uma situação idêntica. Pois falo-a de acordo com as suas capacidades e com a avaliação que faz da situação. Melhor ainda e mais eficiente é ensinar a criança a prevenir em detrimento de reagir. Vejamos o seguinte exemplo: num estudo realizado por Oliveira, L. et al (2013), onde o objetivo era verificar a viabilidade e aplicação de um teste, foi pedido a um grupo de crianças entre os 3 e os 5 anos que entrassem num barco com a professora para realizarem um passeio dentro da piscina. Quando os alunos chegaram perto da professora e verificaram que não existiam coletes para colocarem para entrarem no barco recusaram-se a fazê-lo! Esta é uma evidência clara que o trabalho de prevenção desenvolvido durante as aulas, neste tipo de metodologia, é muito bem conseguido e é uma mais-valia na prevenção do afogamento. Fazer a criança ter consciência dos perigos e das suas capacidades aquáticas é a principal medida de prevenção.

Defina o seu objetivo e procure de acordo com o pretende para o seu filho. Tome uma decisão com consciência sendo conhecedor dos métodos existentes e o que cada um desenvolve e como o desenvolve.

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